Nova Bandeirantes

nativanews 07/03/2018 07:56

Delegado afirma que não há indícios de participação do prefeito em incêndio da prefeitura em Nova Bandeirantes

Em entrevista à Rádio Bambina FM, Juliano Thibes Guedes de 27 anos, afirmou ter sido contratado pelo prefeito para atear fogo na prefeitura, mas nega ter cometido o crime. Ele teria aceitado o trabalho mediante a negociação de R$ 50 mil reais, que seriam pagos em duas etapas, uma pequena entrada e o restante quando o “serviço” fosse feito. A negociação aconteceu após um encontro casual entre Guedes e o prefeito, Valdir Rio Branco, o secretário de Obras, José Gabriel Bueno Schmitt e o filho do prefeito, advogado Thiago Pereira.

“Um dia eu fui ver a torre que a OI montou, e encontrei a caminhonete do prefeito, que parou na parada de ônibus, parei pra conversar com eles. O prefeito estava muito nervoso e falou pra mim que eu fosse no escritório do doutor Thiago. Cheguei no escritório o doutor Thiago me disse – Juliano, tenho um negócio até difícil de pedir pra você, é um serviço, você procura o Cica, que ele sabe o que é pra você fazer. – procurei o Cica”.

Conforme continuidade dos relatos de Guedes, o secretário de Obras informou que haveria um “negócio grande” na cidade, se referindo a Operação Loki, e que documentos precisavam ser retirados da prefeitura. Alguns dias depois o pedido de atear fogo, que foi feito mediante a proposta de pagamento e ainda assessoria jurídica por parte do advogado Thiago Pereira. “Doutor Thiago falou que seria meu advogado, se eu precisasse de um advogado mais forte, teria o advogado do pai dele. Então tudo bem, nem pensei, peguei o envelope. Depois procurei o Juliano Rocha, que disse – não, eu faço! – aí ele pegou mais outro parceiro, fizeram o serviço em três, eu não fui fazer, terceirizei para eles”, relatou Guedes.

A tortura

“Com tanto delegado que tem aqui no município de Alta Floresta, teve que vir um de Cuiabá, e o que veio de Cuiabá em vez de fazer o trabalho dele, investigar, não, veio pra me bater?! Tá errado, eu não estou entendendo isso”, apontou Guedes relatando as agressões sofridas.

“Apareceu o novo delegado lá e queria saber a verdade, eu contei toda a verdade pra ele no dia 28, mas antes de eu contar o relato. Eu vi que era só eu sozinho e vários policiais, eles começaram a me bater e eu falei – não, não, eu vou contar a verdade – contei tudo como aconteceu”, relata Guedes, frisando que sofreu agressões com murros no estômago, murros nas costas e chutes, “Eles falaram pra mim ligar pro meu advogado, meu advogado foi lá e eles param de me bater, aí eu dei o depoimento e fui pra casa”.

No dia seguinte, 01 de março, Guedes relata que procurou o hospital por estar sentindo muitas dores devido as agressões sofridas. “Como Bandeirantes é pequena, ia passando a viatura da Civil, o policial conhecido da cidade viu a minha moto, pararam, eu saí lá fora e eles falaram – me acompanha na delegacia?! – isso era 09h da manhã, eu fui e aí eles falaram que iam buscar o Rocha em Apiacás, e foram, mas me agrediram muito”.

A tortura conforme Guedes durou sete horas consecutivas, promovidas por policiais e um delegado vindo da Capital de Estado. “Muro na barriga, joelhada na barriga, murro nas costas, enforcamento, toalha molhada na cabeça, teve uma hora que estava perdendo o fôlego com esse toalha, eu falava – não faz isso não, eu falei a verdade­”, relatou Guedes frisando que “eles queriam que eu mentisse, queriam ouvir um depoimento falso que o Rocha deu”.

Após todo o processo de tortura, Guedes afirma que para sair da delegacia assinou o depoimento, “o delegado disse que pra sair era só assinar, eu estava com tanta dor que nem li”. Guedes fez o exame de corpo delito, contabilizando nove lesões.

Outro lado

Procurado pelo , o delegado Flávio Stringueta diz que a acusação de Juliano Guedes, a qual ele já teve acesso, não o surpreende. “Toda vez que a gente tem um inquérito em que alguém confessa o crime, se ele volta atrás lá na frente, fala que foi torturado. Eu até nem gosto quando o suspeito confessa para não ter esse dissabor futuro. Mas é aquilo que a gente fala, se é verdade vai ser provado que é verdade. Se é mentira, logo vai cair”, pondera.

O delegado ressalta que o interrogatório onde teria ocorrido a agressão foi colhido na presença do advogado. “Se ele foi torturado o advogado também torturou ele. Por que não cita o advogado? No final do interrogatório, textualmente ele fala que não foi agredido, mal tratado e ofendido por nenhum policial”.

 

Indagado sobre a parte da declaração que Juliano diz ter assinado um depoimento sem ler, Stringueta volta a destacar que um advogado acompanhou o interrogatório. “Não tem como, foi tudo muito tranquilo. Tenho filmado também toda a entrevista que fiz com ele. Depois vai ser visto isso, que o que ele falou durante a entrevista e o que consta no depoimento é a mesma coisa. Não faz o menor sentido ele alegar isso”.

 

O vídeo em questão será anexado ao inquérito que investiga o incêndio. O delegado cita ainda que no termo de declaração prestado à promotoria não consta assinatura de nenhum advogado. “Em qual a gente vai dar mais valor? Em qual foram dadas melhores garantias dele ser acompanhado de advogado, prestar depoimento com a segurança jurídica da OAB e tudo mais? É o meu, o que ele prestou na delegacia. E eu não estou querendo denunciar, falar que o MPE fez alguma coisa errada. Só que são dois depoimentos, um na presença de advogado e outro sem, o meu era na presença”, ressalta.

 

Por fim, o delegado menciona que Juliano já prestou entre cinco ou seis depoimentos sobre este caso e nenhum coincide com o outro. Até o momento, a investigação aponta que os executores do incêndio são o Juliano Rocha de Oliveira e outro homem conhecido como “Lebrão”. Juliano Guedes teria intermediado o contrato, recebeu dinheiro de uma advogada chamada Narjara e repassou para Rocha e Lebrão.

 

Para descobrir quem deu a ordem para o incêndio, Stringueta diz que será necessária uma confissão da advogada. “Além dela (Narjara), ele implica como pessoas contratantes uma funcionária da prefeitura de nome Kelyn e uma ex-advogada da prefeitura de nome Claudinéia”. Segundo o delegado, não há indícios que apontem qualquer participação de Barranco, do prefeito, do advogado ou do secretário de Obras no crime.

Informações Florestanet e site RD News


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